Charles Dicken
Origem:
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Charles Dickens
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Charles Dickens
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Nome
completo
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Charles
John Huffam Dickens
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Nascimento
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Morte
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Nacionalidade
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Cônjuge
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Catherine
Thomson Hogarth
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Ocupação
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Escritor
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Assinatura
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Charles
John Huffam Dickens (Landport, Portsmouth, 7 de fevereiro de 1812 — Gravesham, Kent, 9 de junho de 1870) foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana.[1]. No início de sua atividade
literária também adotou o apelido Boz. A fama dos seus romances e
contos, tanto durante a sua vida como depois, até aos dias de hoje, só aumentou.
Apesar de os seus romances não serem considerados, pelos parâmetros atuais,
muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da
crítica social na literatura de ficção inglesa.
Infância e Juventude
Dickens
nasceu numa sexta-feira na cidade de Portsmouth (condado de Hampshire, Inglaterra), filho de John Dickens,
funcionário perdulário da Armada, e de esposa Elizabeth Barrow. Quando fez
cinco anos, a família mudou-se para Chatham, no condado de Kent.
Descrever-se-ia
a si mesmo, mais tarde, como uma criança "muito pequena e não muito
mimada".[2] Educado pela sua mãe, que lhe
ensinava diariamente inglês e latim,[2] passava muito do seu tempo a ler
infindavelmente – e, com especial devoção as novelas picarescas de Tobias Smollett e Henry Fielding. Entre os livros da sua infância
encontravam-se também obras de Daniel Defoe, Goldsmith, bem como o "Dom Quixote", "Gil Blas" e "As
Mil e uma noites". A
sua memória fotográfica serviria, mais tarde, para conceber as suas personagens
e enredos ficcionais, baseando-se muito nas pessoas e acontecimentos que foram
marcando a sua.
A sua
família era remediada em termos económicos, o que lhe permitiu frequentar uma
escola particular durante três anos. A situação piorou, contudo, quando o seu
pai foi preso por dívidas, depois de gastar os recursos da família no afã de
manter uma posição social periclitante. Com dez anos de idade, a família
mudou-se para o bairro popular de Camden Town em Londres, onde ocupavam
quartos baratos e, para fazer face aos gastos, empenharam os talheres de prata
e venderam a biblioteca familiar que tinha feito as delícias do jovem rapaz.
Com doze anos, Dickens já tinha a idade considerada necessária para trabalhar
na empresa Warren’s onde se produzia graxa para os sapatos com betume, junto à
actual Estação ferroviária de Charing Cross. O seu trabalho consistia em
colar rótulos nos frascos de graxa, ganhando, por isso, seis xelins por semana.[3] Com o dinheiro, sustentava a
família, encarcerada na prisão para devedores, em Moure onde ia dormir.
Alguns
anos depois, a situação financeira da família melhorou consideravelmente,
graças a uma herança recebida pelo seu pai. A sua família deixou a prisão, mas
a mãe não o retirou logo da fábrica, que pertencia a um amigo. Dickens jamais
perdoaria à mãe por essa injustiça. O tema das más condições de trabalho da
classe operária inglesa tornar-se-ia, mais tarde, um dos mais recorrentes da
sua obra.
Início de carreira
Em agosto
Dickens começou a trabalhar num escritório, emprego que lhe poderia valer, mais
tarde, a posição de advogado. Não gostou, no entanto, do trabalho nos tribunais
e, depois de aprender taquigrafia, foi, por um breve período, estenógrafo do tribunal. Com dezoito anos de
idade, começou outro período de leituras intensas tendo-se inscrito na
biblioteca do British Museum. Por esta altura, apaixona-se pela filha de um
banqueiro, Maria Beadnell. Os pais da menina desaprovaram, contudo, o idílio
amoroso devido ao passado dos pais de Dickens. A própria Maria tornar-se-á
indiferente a Charles depois de uma viagem "educativa" à França. Dickens levará um ano a superar
este desgosto amoroso.
Tornou-se,
depois, jornalista, começando como cronista judicial e, depois, fazendo relatos
dos debates parlamentares e cobrindo as campanhas eleitorais pela Grã-Bretanha
fora, de diligência. Os seus Sketches by Boz ("Esboços de Boz" -
Boz era a alcunha do seu irmão mais novo que não era capaz de pronunciar
devidamente "Moses" - Moisés, em inglês) são fruto desta época e são
constituídos por pequenas peças jornalísticas em forma de retratos de costumes,
originalmente escritas para o "Morning Chronicle" em 1833.[4] Ao longo da sua carreira,
Dickens continuou, durante muito tempo, a escrever para jornais.
Com pouco
mais de vinte anos, o seu The
Pickwick Papers (Os Documentos Póstumos
do Clube Pickwick)
estabeleceu o seu nome como escritor. A ideia inicial desta obra era que
Dickens escrevesse comentários a ilustrações desportivas. De 1831 a 1834, a New Sporting Magazine comprovou o
sucesso desta receita editorial com a sua série "Jorrock´s Jaunts and
Jollities" sobre um comerciante cockney que quer a todo o custo ser
reconhecido como o bom caçador que não era. Querendo seguir a mesma ideia,
Robert Seymour propôs aos editores Chapman and Hall criar uma série
semelhante sobre um tal de "Clube Nimrod" (Nimrod é uma personagem
bíblica descrita como sendo um grande caçador) onde também se troçaria dos
caçadores inexperientes, mas cheios de si mesmos. Procuraram-se escritores para
"complementar" as imagens com textos. A terceira opção, perante a
recusa dos dois primeiros, era Dickens, que escrevera os seus Esboços para a
mesma editora. Dickens rapidamente tomou conta do projecto e rejeitou a ideia
de um clube de caçadores - a ideia não lhe agradava. Criou, pelo contrário, um
clube de observadores de curiosidades, o que afastou definitivamente o
ilustrador que tivera a ideia inicial, Seymour, que viria a suicidar-se na
sequência destes acontecimentos. Procurou-se outro ilustrador. É curioso que
tenha sido rejeitado um tal de William Makepeace Thackeray que se tornaria outro vulto de
importância no romance vitoriano (geralmente colocado logo a seguir a Dickens,
na opinião de muitos estudiosos da literatura inglesa - ou mesmo superior a
Dickens, na opinião de outros). O novo ilustrador, conhecido pela alcunha de
Phiz, deu conta do recado.
A fama
A 2 de Abril de 1836 (três dias depois da publicação do primeiro
fascículo de "Pickwick"), casou-se com Catherine Hogarth, com quem
teve dez filhos.[1] A recepção do público a Pickwick
não foi calorosa desde o início. Só quando aparece a personagem de Sam Weller,
o criado de Pickwick e que acompanha as aventuras do
seu amo ao jeito de um Sancho Pança ao lado de Dom Quixote, é que as
vendas sobem de 400 exemplares para 40 000.
Em 1838, em decorrência do sucesso de Pickwick, propõe a
publicação de Oliver
Twist onde,
pela primeira vez, apontava para os males sociais da era vitoriana. O romance,
divulgado em folhetins semanais, terá também o seu ilustrador: Cruikshank.[1]
Em 1842 viajou com a sua esposa para os Estados Unidos. A viagem foi descrita, depois,
no curto relato de literatura
de viagens American Notes, existindo também influências da
mesma em alguns episódios de Martin Chuzzlewit. Ao entusiasmo com que foi
recebido, de início, nos Estados Unidos, seguiu-se uma estadia menos calorosa,
devido às críticas que teceu à política editorial deste país, acusando os
editores de plágio em relação à literatura produzida na Grã-Bretanha.
Em 1843,
publicava o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol"
("Canção de Natal"), ao qual se seguiriam outros, com a mesma
temática, como "The Chimes" (1844), que escreveu em Génova na sua primeira grande viagem ao
estrangeiro (se descontarmos a breve incursão aos Estados Unidos). Em 1845, "The Cricket on the Hearth" ("O
Grilo da lareira") torna-se também um dos seus maiores sucessos
natalícios.
Em 1848 publicava "Dombey and Son", escrito
principalmente no estrangeiro, onde descreve o meio dos transportes
ferroviários - outro tema estreitamente relacionado com a Revolução Industrial
que conformava a sociedade vitoriana.
Em 1849 publicou aquele que viria a ser o mais popular dos
seus romances, David Copperfield, onde se inspirava, em grande parte, na sua
própria vida. As amizades literárias de Dickens incluíam, em 1854, Thomas
Carlyle, a quem dedicará o seu romance "Tempos Difíceis".
A revista
semanal Household Words, onde viria a publicar, em folhetins, alguns dos
seus romances, foi fundada também por ele, em 1850, e chegou a vender 40 mil cópias por semana.[3] A revista seria reformulada em 1859, mudando de nome para "All the year
round".
Os livros
de Dickens tornaram-se extremamente populares na época e eram lidos com grande
expectativa por um público muito fiel à sua escrita. O seu sucesso permitiu-lhe
comprar Gad’s Hill Place, perto de Chatham, em 1856. Esta casa fazia parte do imaginário de Dickens,
desde que por ela tinha passado, em criança – sonhando que um dia poderia lá
viver. O local tinha ainda um significado especial porque algumas cenas do Henrique V de Shakespeare localizam-se nesta mesma área.
Essa referência literária agradava de sobremodo a Dickens.
Últimos anos de vida
Dickens
separou-se da sua mulher em 1858. O divórcio era um acto altamente reprovável
durante a era vitoriana, principalmente para alguém com a notoriedade dele.
Continuou, contudo, a pagar-lhe casa e sustento durante os restantes anos em
que ela viveu. Ainda que tivessem sido felizes no seu início de vida conjugal,
Catherine parecia não partilhar a energia de viver sem limites de Dickens. O
trabalho de cuidar dos dez filhos do casal, aliado à pressão resultante de ser
a esposa e dona de casa de um romancista mundialmente reconhecido não ajudava.
A sua irmã, Georgina, tinha mudado para casa de Dickens, para ajudar Catherine
no seu trabalho doméstico – há, contudo, rumores de que teve um caso amoroso
com o cunhado. Georgina manteve-se com Dickens após a separação para cuidar dos
filhos do casal. Podemos encontrar um indício da insatisfação marital de
Charles num encontro que este teve em 1855 com Maria Beadnell, o seu primeiro
amor.
A 9 de
Junho de 1865, estando de regresso de França, onde fora visitar Ellen Ternan, Dickens viu-se envolvido no
acidente ferroviário de Staplehurst, em que as seis primeiras carruagens do
comboio caíram de uma ponte em reparação. A única carruagem de primeira classe
que se manteve na linha foi, por coincidência, aquela onde seguia Dickens. O
escritor mostrou-se ativo a cuidar dos feridos e moribundos antes de chegarem
os esforços de salvamento. Quando se preparava para abandonar o lugar trágico
lembrou-se, ainda a tempo, de que tinha deixado dentro do comboio o manuscrito
inacabado do seu romance Our Mutual Friend (O nosso amigo comum) e
voltou à carruagem para o buscar.
Já que se
tornaria público que seguia viagem com Ellen Ternan e a sua mãe, a opinião
púbica rapidamente a apontaria como a causa da separação de Catherine. Ellen
foi, para todos os efeitos, a mulher que acompanhou Dickens até ao final dos
seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente.[1]
Ainda que
tivesse escapado ileso do acidente, nunca chegou a recuperar totalmente do
choque. Isso é evidente no ritmo da sua produção que decresce bastante depois
deste episódio. Levará algum tempo a completar Our Mutual Friend e a
começar a sua obra incompleta, The Mystery of Edwin
Drood, onde se
notam influências de Wilkie Collins, que fazia parte do círculo de amigos de
Dickens e que é considerado um dos pioneiros do romance policial. A partir de
1858, os seus últimos anos de vida serão ocupados principalmente com leituras
públicas. Esse género de espectáculos, que consistia apenas em ouvir Dickens a
ler as suas suas obras mais conhecidas, tornaram-se incrivelmente populares.
Note-se que na altura era comum ler em voz alta em família ou em grupos – a
leitura expressiva era muito valorizada. E Dickens, com a sua interpretação
apaixonada e a forma como se entregava à narração, não só arrebatava
gargalhadas (e, principalmente, lágrimas) das audiências, como se arrebatava a
si mesmo, exaurindo as suas forças. O esforço despendido nestes espectáculos é,
muitas vezes, apontado como uma das causas da sua morte. Em 1867 foi convidado
a voltar aos Estados Unidos para uma digressão das suas leituras.





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